Eu e Eu

E

O vento 

Que sopra 

Pra lá e pra cá pra lá e pra cá 

O vento

E

Eu

E

As memórias 
Sentir é assunto delicado

Porque aquele que sente nem sempre

É sentido com cuidado

O vento que sopra

Impetuoso e veloz 

Tira ou bate 

Com força 

As memórias 
Estamos 

Eu

O vento 

Eu

E o frio

Indelicado e bruto
O frio 

E

Eu

E

As memórias 

E

O silêncio 
O frio machuca 

O silêncio também

Não se cura com agasalho 
A pele

O vento 

E o porém 
O tentar ser delicado 

Ao desferir o golpe no refém 
Então o vento e o silêncio passam

E só o que sobra sou

Eu

A pele

O porém
Carolina Lobo 

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Raízes 

Caem as folhasAs flores

Sobram os galhos

Caem as certezas

Os sonhos

Sobram os rastros

Mas se no chão, estarrecida

Se encontra aos frangalhos 

Há de se lembrar que é dele

Que brotam as raízes 

De todos os lados 

E as raízes não caem 

Já estão pelo chão 

Sendo assim só lhes cabe seguir 

Rumo à uma direção 

                 R 

             A        Í

           Z              Es 

E ao crescer de possibilidades 

Re-nascem as folhas

Re-nascem as flores

Nos antes despidos galhos 

Antes nus e vulneráveis 

Ao frio cortante

Ao calor febril 

Re-descobre em instantes

Sua metamorfose servil 

Que o serve a todo instante 

Na inconstância de ser

Derruba e ergue, desfaz e dá 

Enquanto ensina, paciente 

Que todo ciclo se completa 

Sem fase alguma deixar passar 


Carolina Lobo

E-book

Oi, oi!

Uau, faz um bom tempo desde que apareço para postar alguma coisa que não seja um poema (dona Isabella nem se fala risos), mas estou aqui para compartilhar uma notícia com você, leitor(a), que permanece firme e forte em meio às nossas banalidades e sumiços.

Como vocês sabem, ou, vagamente se recordam (caso tenham lido a descrição do meu perfil ali do lado), meu maior sonho é ser uma escritora publicada. Bem, até agora as editoras não colaboraram com a minha existência, e, até esse dia chegar (oremos muito) eu preciso fazer o que está ao meu alcance atualmente.

E o que seria isso? Bem, você pode me encontrar no wattpad.com/user/carolobo, ler de graça o meu livro Broken – Um Rosto Bonito Não Cobre Um Coração Feio, e fazer parte das mais de 50 mil leituras da história, ooooou você pode comprar Verônica – o primeiro livro que eu escrevi por inteiro -, no site da Amazon, bem aqui.

Pois é!

Verônica (2).jpg
essa é a capa <3

O e-book está disponível por R$ 12,73 e, caso seja do seu interesse, você pode adquirir um exemplar!

Seja no wattpad, aqui no blog, ou comprando o e-book, muito obrigada pela companhia! Até a próxima!

Carolina Lobo

 

Disritmia

Arma
Ao mar
A tira e
Atira
Contra o meu peito

Sangrento
por
encontrar alento
No conforto do teu leito

Dê Cabo
À distância
E à esta ânsia
Maltratando meu querer
Meu
coração antes des-com-passado
Esbaforido e
aos frangalhos
suspira-
aliviado
Disparado
ao se render

 

Carolina Lobo

Pôr-do-sol

Sol-se-pôr
Se por você assim for dito
Se por só
Daquilo que sente um pedaço finito
Por si só difícil conter pois tal como
Água quente queimando na pele
Dá vontade é do grito
De repente desejo latente que esmaga
O peito e não sei se respiro
E contenho essa pressão nos ossos
Que insistem em querer levar meus pés
Ao Destino
Deste nó que me embola a garganta
E nem mesmo um mantra sufoca
Aquilo que sinto
E calada pouco a pouco esvai a vida
Da vontade mal nutrida
Que não sabe se grita já que o medo
Parece crescente
Só se por
Inesperado milagre
Em hora conveniente calhe
Sobrepondo-se as lacunas dos silêncios
Intocáveis
(Pois sensível é a pele recém-queimada
E tamanha destreza é necessária ao ser
Cuidada)
Ai, na ânsia de se mostrar benquerença
Ai, dolorosa essa tal intensa
Intenção desse querer
Pôr-do-sol
Pôr-do-Ser
Que permanece assim parado
Esperando atravessado
O caminho
Só se por você

Carolina Lobo

Luz

Antes do amanhecer, a escuridão profunda
impedia a clareza das Ideias
Que, carregadas de uma solidão única,
recusavam-se a acreditar nas frestas
E assim, tão íntima do escuro,
sentiu arderem os olhos ao raiar do dia
E, num impulso louco,
temeu a Luz, que sombra também produzia
Passo-a-passo, pouco-a-pouco
desabrochava feito flor
Passarinho voando do ninho
criança que não conhece a Dor
Vez ou outra se arriscava
à luz do sol se expor
Mal se via, já dançava
e nem sempre levava protetor
Mas quando a noite enfim chegava
certificava-se de reclamar, ciumenta
Seu lugar entre as Ideias
ora claras, ora turbulentas
Bastava Luz ter a pele tocado
para espantar o torpor
Consequência do tempo no escuro
onde era incapaz de distinguir cor
Ainda que comedida, confiava
E por querer em demasia, acreditava
Ao fim do dia, já não recuava
Aurora em seu esplendor 
Carolina Lobo

Mar

Na beira da areia,
com medo de entrar
Os pés, de sereia,
não sabem nadar
Portanto, observam, cautelosamente,
a gentileza da água, que um convite pretende
E, encantada com a possibilidade
de conhecer o mundo,
Se entrega a sereia, tomada de orgulho

Com a inocência inerente às infantis descobertas
mergulhava a sereia, que não era mais dela
Se doou para o mar, como todos faziam
confiando plenamente, como poucos sabiam

E ao menor sinal de tempestade, permanecia imóvel
acreditando na correnteza, mesmo em tempos duvidosos
Mas se de certo sabia que não só de calmaria
se fazia o mar
Encontrou-se desprevenida ao perceber que
caixote atrás de caixote era capaz de afogar

No entanto, dia após dia, insistia em ali ficar
seu coração navegante temia
Que as pernas por conta própria não soubessem mais andar
E assim os dias seguiam
até que para quebrar a rotina, o mar se pôs a brincar

Por vezes ele acalmava, levando por entre as ondas a sereia
que se regozijava com aqueles momentos
Acalentada por ainda pertencer

Se ao menos não tivesse aprendido
ao mar deixar de temer
Talvez não tivesse então cedido aos seus caprichos,
impossíveis de prever

E quem sabe sorte melhor teria tido
se houvesse um salva-vidas a seu dispor
Quando avistou um lobo mal-cuidado,
esquelético, e já tão fraco
Apresentando-se como seu salvador

Todavia, de uma fome incontrolável,
há meses angustiado, vinha a sofrer
E a sereia, já aos pedaços,
descolou do osso a carne
Sem muito esforço fazer

À aquela altura, já muito abalada,
mergulhada no Rio dos mortos
Renovou, alheia à dor, com o mar
perpétuos os seus votos

E ao fim misturados,
a sereia, o lobo e o mar
Se fundiram naufragamente
E, dos três, a eternidade
apenas a um pertencente
Soberanas a qualquer vontade,
por bem, ou por maldade,
Prevalecem as águas do mar.

Carolina Lobo