Por trás desses óculos…

Ainda não era manhã exatamente. Lá fora, despontava a aurora. Preguiçosos, meus olhos não corresponderam quando ordenei que se abrissem, mas logo cederam aos meus comandos. Como que para acordar meu corpo, me espreguicei rapidamente. Ainda sentia o peso da noite mal dormida em meus ombros, eu fiquei um pouco preguiçosa esperando que isso mudasse.

Se eu vivesse em um mundo que permitisse atrasos enormes, dormiria mais algumas boas horas. Mas não posso, porque não vivo. Arrastei minhas pernas pesadas até o banheiro e lavei o rosto. Meu cabelo estava horrível, mas não tinha tempo para isso, já estava atrasada. Rapidamente, após o banho, me envolvi nas primeiras roupas que achei pela frente. Isso na verdade é mentira, quando peguei um vestido amarelo e um casaco fino, só pra prevenir, coral, não pude deixar de jogar aquilo de volta no cabide. Deus que me livre de usar juntas essas cores. Mas, voltando ao que eu falava…

As pessoas de hoje em dia são práticas. Normalmente gosto de reservar um tempo particular para o meu cabelo, mas especialmente hoje não havia tempo. Resolvi ser prática também, e saí com eles presos num rabo de cavalo. Minha franja começava a cair sobre meus olhos, provavelmente deveria cortar. Só um lembrete. Ela sempre fica pior quando corto, mas não consigo resistir… Oh vida.

Saí apressadamente, sorte que não estava de salto alto. Naquela hora seria tortura. O sol finalmente saíra, e o casaco se mostrara desnecessário. Como não cabia na bolsa, o pendurei no braço. Sempre fui apressada, não tenho vontade para esperar o sinal abrir e fechar de novo. Se estiver fechado eu vou. E estava, então fui. Tive que correr, pois abriu assim que cheguei ao meio da pista, mas consegui.

Esperar um ônibus por mais de 20 minutos devia ser proibido. Não? Depois de minutos calorosos, para meu alívio ele chegou. Com ar-condicionado, diria ser sorte. Mas esses ônibus sempre tem cheiro de chulé!

Desde o momento que pus meus pés na rua soube que faltava algo. E no momento que entrei no ônibus e a luz do sol quase me deixou cega, soube o que era. O motorista era impaciente, e teve que me apressar também…

– Vai entrar, ou não?

Suspirante entrei. Não valia o atraso. De qualquer forma, era essa a hora em que eu fazia “a metida” com meus óculos e meus fones de ouvido (eu adoro conversar com estranhos no ônibus, mas esse ônibus em particular você só entende meus motivos para querer ignorar estando nele), mas como eu não tinha os óculos, me contentei com o fone.

Enquanto o ônibus corria apressadamente, minha cabeça tremia por estar repousada na janela fechada. Distraída com a música, me deixei levar e acabei batendo a cabeça com força na janela. Com raiva, como se pudesse brigar com ela, a encarei. Mas era transparente, então encarei algo que normalmente não veria se estivesse com o óculos, já que estaria olhando para frente, e não evitando “alguéns” olhando pro lado. Então reparei.

Reparei em como a água ficava bonita enquanto o sol batia nela. Em como o vento quando soprava, fazia a água formar ondinhas, por vezes coloridas, naquela água. Em como as folhas dançavam ao redor do vento e caíam graciosas na água, e em como aquele céu azul completava a paisagem. Normalmente eu não teria visto. Mas hoje eu vi. E sorri, involuntariamente.

Depois desse dia, fiz disso um hábito. Não sair atrasada, Deus me livre, me matariam se fizesse isso todo dia! Mas observar. Às vezes com o estresse a gente não repara no que tem ao redor, e agora eu escapava dele toda vez que olhava para aquela paisagem, era como recriar minha paz nesse mundo bagunçado. Faz bem estar em contato com essa parte verde e, embora os tempos estejam meio loucos com toda essa urbanização, tomara que um dia a cor da natureza e o cinza da cidade andes de mãos dadas, perfeitamente juntos. Seria melhor? Me diga.

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Por: Carolina Alves.

Não se reprima, pense e reflitaaaa…

É engraçado como algumas coisas te fazem pensar. Quer dizer, de repente você tá aí, andando pela rua, virando a esquina e dá de cara com uma cena que você vê umas dez vezes por dia – sendo otimista – e pensa: Qual é o problema dessa gente? De uma maneira menos indelicada, achei que devia dar minha opinião sobre isso. Então, ok.

Desde pequena, andando num fusquinha azul que meu pai tinha, com todo aquele vento beijando meu rosto, aquela emoção de botar a cara pra fora da janela, me sentia aqueles cachorrinhos de filme de sessão da tarde, eu vejo pessoas fazendo isso. E sempre me deixou chocada. Quer dizer, isso é falta de respeito ou falta de consciência?

Meu pai às vezes ficava meio doido e queria imitar eles. Eu não. Sempre andei com meus lixinhos bem esmagados na minha mão até achar uma lixeira, e se não tivesse uma, até chegar em casa. Mas desde pequena eu observo que mesmo com algumas lixeiras espalhadas pelas ruas, as pessoas teimam em jogar lixo no chão! O que é isso? Você tá ocupado demais pra dar uma olhada no que você tá fazendo? Algumas pessoas fazem piada disso, dizendo que é pra ter emprego pros garis, mas mesmo que não tivesse lixo iam ter folhas entupindo bueiros, e eventuais lixinhos, então parem de preguiça.

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A mão de ninguém cai por guardar um papel de bala dentro da bolsa e jogar fora quando chegar em casa. Ou por esperar mais 10 passos pra jogar o lixo na lixeira e não no chão. Eventualmente vamos ser cobertos por uma montanha de lixo, já que o planeta não vai ter espaço pra quantidade de lixo que produzimos, então enquanto ninguém arruma uma solução pra esse lixo futuro, arrume o lixo de agora! Não te custa nada, e deixa os lugares que você frequenta muito mais limpos, mais confortável para que seus olhos observem e livres de possíveis odores que dependendo do lixo, possam vir a existir.

Não sejamos egoístas, por favor. Hoje você tá aqui e pensa: Eu vou morrer antes da água acabar mesmo, antes do lixo cair em cima de todo mundo mesmo, antes de não ter mais comida pra todo mundo mesmo… Mas e os filhos que você vai deixar? E os filhos deles? São sua família! Pense neles…

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As pessoas de hoje em dia só querem saber de dinheiro, e do que é bom pra elas. Vai acabar com o país daqui há uns anos? Ihh, tá longe ainda… Meus filhos vão ter que andar com uma garrafa de oxigênio nas costas e pagar 5 reais por 100 gotas de água daqui a 30 anos? Ahhhh, tá longe aindaAlguém vai pensar em alguma coisa… Pensam que sempre vai ter alguém pra fazer tudo, que nada é problema, nada é agora. Óbvio que algumas pessoas devem se importar, espero, mas de qualquer forma é um insulto a forma como as pessoas tratam esses problemas ambientais que o mundo todo vem tendo. Ninguém precisa carregar o mundo nas costas, mas fazer sua parte ajuda. Ninguém observa as formigas? Sozinhas, seus esforços são pequenos, mas juntas são capazes de tudo. Analisem.

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E como diz na carta daquele indiozinho, ” Só quando o homem branco destruir a floresta, matar todos os peixes, matar todos os animais e acabar com todos os rios, é que vão perceber que ninguém come dinheiro ”. Mas se continuar assim, vamos ter que comer, beber e respirar…

Por: Carolina Alves.

imagens: aqui, aqui e aqui.

Jano

Eu quero viver a vida com uma nova perspectiva. Quero, porque a antiga já passou da validade. Me diga uma razão para fazer tudo do mesmo jeito para sempre, irei te ouvir. Não necessariamente aceitar. Não acho que eu seja a única. Ando meio perturbada, como se viesse tomando um litro de café por dia. Ando precisando de uma sacudida pra acordar. Quando você se depara com um caminho sem saída você volta por onde veio. Qual é o meu problema? Por que continuo parada? Toda vez que eu acho que deixei ir, toda vez que acho que não vai haver mais talvez, que as coisas vão ficar normais… Pof. E é por isso que eu me decidi. Acabaram aqui suas pegadinhas, eu não vou voltar atrás. Quem liga se é certo? Eu nem ao menos sei se é uma boa ideia. Começou minha intervenção, era só o que faltava. Se isso não é certo, pelo menos não é ruim pra ninguém.

Por: Carolina Alves.

Ai.

Às vezes são pessoas erradas na hora errada — mas não acho que para isso existam pessoas certas —, ou pessoas certas nas horas erradas. E então quase que obrigatóriamente você pensa, se fosse um segundo antes ou depois não teria acontecido. Mas essas coisas acontecem, e nenhum segundo passado faz diferença.

Eu, particularmente, tenho mais experiência, e de certa forma intimidade, com essas coisas do que gostaria. Mas quando paro pra pensar sobre essas coisas — o que não faço frequentemente porque dói — acho que ao longo da minha curta existência colecionei mais perdas do que parece ser suportável.

Posso dizer que sou emocional. Tendo lembranças, posso dizer que choro. Às vezes por horas antes de dormir, às vezes durante uma crise de riso, às vezes involuntariamente. Choro mais do que parece aceitável, mas poucas pessoas carregam consigo dores tão insuportáveis.

Meu pobre coração não passa de uma folha de papel muito amassada, e talvez tenha alguns pedaços precisando de um durex pra juntar, mas com o tempo vai amenizar. Faço do jeito que faço com as pessoas que eu gosto, os caras os quais eu podia ter gostado, e algumas amigas que eu possa ter maltratado, porque hoje, ao menor sinal de risco eu não posso me permitir deixar. E toda noite eu penso que eu ainda terei mais uma vida inteira pra tentar aprender a lidar com a dor das pessoas que eu perdi, e com a das pessoas que um dia a vida vai ter que levar. E eu preciso fazer de algum jeito que pareça seguro continuar…

Por: Carolina Alves.

Para todas as pessoas que eu perdi, pras que eu vou, e pra que você perdeu hoje. “A única certeza que se tem na vida, é de que um dia vamos morrer”.

Apenas um degrau de diferença entre ganhar e perder.

É frustrante perder. Perder quando sua vitória depende de outra pessoa é pior ainda, porque aí não há quase nada para ser feito. Perder, perder, perder, perder, perder… Que palavra. Dizem que quando você repete uma palavra inúmeras vezes e rápido ela perde o sentido, mas não creio que quando você sente a essência dessa palavra faça muita diferença. Aos que perdem só resta a frustração de ter perdido, aos que perdem por muito pouco só resta a quase explosão que se tem por não ter ganho, e aos que perdem constantemente resta o desejo de um dia ganhar, finalmente.

Mas tem uma coisa que diferencia as pessoas que perdem das pessoas que ganham. Ou pelo menos as que perdem e querem ganhar das que perdem e se conformam. A vontade. Quem já ganhou, mas agora perde, sabe como é ganhar e almeja mais que tudo o sabor da vitória novamente. Quem não ganhou e não conhece essa sensação, sonha em como deve ser. E quem ganha constantemente esquece do sentido, já que está constantemente no topo. E essa é a diferença. As pessoas que perdem, mas querem ganhar, tem um pouco mais de determinação, de vontade, de atitude, e alguma hora vai dar resultado, ser recompensado (não que as pessoas que ganham não tenham isso)… Perder é engraçado. Ninguém diz que é bom.

Ganhar e perder são complementares. Alguém precisa perder alguma coisa para que possa haver um vencedor. Mas tudo na vida segue essa ordem. Eu não sei. Algumas pessoas merecem ganhar, mas não quer dizer necessáriamente que alguém mereça perder. De qualquer forma, ganhar exige um certo esforço e não se pode dizer que quem ganha não o faz. É isso.

Por: Carolina Alves.

Parabéns Sebastian Vettel, eu realmente até gosto de você, mas minha torcida era pro Fernando Alonso.