Cartas na mesa

Acredito que em anos ímpares, dias e meses, acontecem coisas boas com mais frequência. E para mim, sozinha, acontecem. Mas eu te conheci num ano par. E é aí que a minha indignação começa. Não que eu fizesse questão que você fosse ímpar, eu só não compreendo seu distúrbio, mas quem vive como você, preso por tantas dúvidas, medos e erros não costuma ser fácil. Porém, eu sou autosuficiente e realmente não preciso de você. Embora isso não queira dizer que eu não gostaria de te ver presente.
Essa é minha segunda carta escrita pra você. A primeira você leu, porque os tempos eram outros. Essa você talvez nem saiba do assunto, mas não faço questão que leia. No fim eu não preciso dizer o que você sabe, mas ignora. Então acho que devo seguir as regras das cartas? Formalidades parecem banais, mas estranhos se cumprimentam de forma mais resguardada, e não é essa a nossa situação atual?

Querido Desconhecido,
Venho por aqui me comunicar do único modo que me foi ensinado: usando palavras. Parece exaustivo, e até mesmo tedioso, te procurar continuamente e você não se preocupar em responder. Entenda, porém, que ainda me importo. Mas parece um pouco grosseiro não perguntar. Então, como está? Espero que bem, afinal, estou com um pouco de pressa pra ouvir suas queixas preguiçosas, que há muito já não insiste em compartilhar. Espero não estar sendo indelicada. E me perdoe se isso estiver parecendo uma queixa, é mais um desabafo.

Aqui, meu estimado Desconhecido, supostamente devo falar de como anda a vida. Nunca foi agitada, não está muito diferente. Tenho tido dias comuns, jogado fora conversas comuns, com pessoas que não nos são comuns, mas nossas amizades nunca seriam compartilhadas, e isso ambos sempre soubemos. De qualquer forma, Senhor Desconhecido, espero que sua falta de rotina, e excesso de preguiça, não te impeçam de achar um sonho, ou uma meta, algo que te faça subir sem limites, e ocupe bastante sua mente. Já adivinhou quem é você?

Sei que parece cedo meu amigo Desconhecido, mas devo me recordar, com certa saudade, de todas as coisas divertidas que fizemos. E de quanta relevância nossas coisas irrelevantes costumavam ter. Mas isso está tão no passado, que mesmo querendo tenho dificuldades para recordar. Espero, de todo coração que suas atitudes compensem nessas suas escolhas duvidosas. Não que eu ache que você não seja capaz de fazer escolhas certas. Desculpe se pareço um pouco rancorosa, mas você sempre foi meio confuso, e eu nunca entendi completamente como duas pessoas diferentes podem morar dentro de você. Na verdade não estou certa de ter me esforçado muito, devo pedir desculpas? Embora seja indiscutível o fato de eu ter sido dedicada, e você sempre foi meio relapso, isso não costumava me incomodar tanto…

Acho que aqui é onde me despeço. Não era minha intenção prolongar demais esse momento. E nessa despedida, caro Desconhecido, é onde eu te peço: descubra quem você quer ser, e se quer ir ou ficar permanentemente. Você sempre soube que eu nasci aos pedaços, e que não sou sujeita a manutenção, sendo assim muito mais frágil a essa sua indecisão. Deixo registrado que aceito apenas o que for de verdade, você bem sabe que não vou hesitar em bater a porta na sua cara se tiver a audácia de me fazer promessas vazias, ou me oferecer migalhas. Enquanto você se decide, eu tenho toda a certeza, dessa vez é a última vez. Sua última chance de escolher ser meu amigo por inteiro, ou um esquecido. Quando eu sair, e fechar a porta, acabou. Estarei livre, Desconhecido. Não pense que não te quero bem, amado amigo Desconhecido, mas é que eu preciso cuidar de mim também.

Se eu conheço você que leu esse texto, só tire conclusões precipitadas se nos conhecemos  por mais de 3 anos e 4 meses.

Por: Carolina Alves.

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O Homem do Futuro

Venho hoje sugerir um filme que vi há algumas horas atrás e achei muito bom! O Homem do Futuro, um filme brasileiro de 2011 protagonizado por Wagner Moura e Alinne Moraes. É uma comédia romântica com ficção científica que, apesar de não ser muito original, é ótima pra passar o tempo.

Zero (Wagner Moura) é um cientista genial, porém arrogante e infeliz. Prestes a ser demitido, ele resolve por em prática um novo invento: um acelerador de partículas. O experimento fracassa, mas acidentalmente ele volta no tempo e tem uma nova chance com Helena (Alinne Moraes), uma mulher que renegou e humilhou o cientista anos antes desta viagem.

O filme apresenta um elenco sensacional e mais uma trilha sonora perfeita, com Tempo Perdido (Legião Urbana) como música central, além de incluir Ultraje à Rigor, Radiohead, R.E.M… Rendeu boas gargalhadas e emoção da minha parte. Não é aquele filme brasileiro apelativo que costumamos ver, sendo um dos motivos a mais por eu ter gostado.

Elenco:

– Wagner Moura como Zero/ João
– Alinne Moraes como Helena
– Maria Luiza Mendonça como Sandra
– Gabriel Braga Nunes como Ricardo
– Fernando Ceylão como Otávio

Trailer: 

É isso. Bom filme!

Feche a porta ao sair

Quando a noite se despede, você faz questão de imitá-la.
Você não pode estar esperando que eu implore.
Então fecho os olhos e lá está você, sorrindo presunçosamente.
Vejo meus olhos confusos refletidos nos seus, então caminhamos na escuridão.
E sem muita pressa estamos misturados com a multidão de rostos que vagueiam
pelas ruas escuras, fingindo alguma coisa.

Começa a chover forte, e minhas pernas parecem de papel agora, mas ao invés de
água, caem palavras sobre nós não ditas, que se dissolvem preguiçosamente antes
de nos tocarem.
Olho intrigada para onde você está.
“Olhe para o céu, você não vê?”
Mas você também começa a se desintegrar, como se o vendo gritante que passa
correndo por nós, queira te levar também.
Pra longe, você foi.

E então percebo que estou na minha cabeça.
De repente soterrada pelo peso das palavras que continuam caindo desgovernadas
e constantes sobre meus ombros, abro os olhos.
Patético ou trágico, ainda não sei dizer,
aparentemente eu sei que tudo continua, sem mim, em perfeita harmonia com você.
Como uma porta, nada mais do que escandalosa,
finalmente fechando sem seu costumeiro rangido lamuriento. Até ela.
Curioso. É estranho, mas é verdade. A vida continua.

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Por: Carolina Alves.

Unhas decoradas

Unhas da semana. Para ver mais unhas vocês podem visitar a página By Nadja Freire, que é quem faz as unhas, ou olhar nos posts antigos. A última foi minha favorita, e a de  vocês? Então aí estão:

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Por: Carolina Alves.