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Você diz que me conhece
Que a gente ficava rodando até as 7
Que minha pior idade foi 17
Mas eu continuo olhando pro seu rosto tentando lembrar
Quem é você?

Você me reprime por não gostar de festas
Cortar minha franja no meio da testa
E fazer o máximo pra adiar uma dieta
Ou imaginar como seria aprender a andar de bicicleta
Mas enquanto o teto – ou a minha cabeça – não para de rodar
Eu fico só imaginando
Quem é você?

E você me pergunta
Por que eu assisto os mesmos filmes chatos
Não tenho pés que caibam nos meus sapatos
Ou não compro um telefone pré-pago
Assim eu não encho seu saco
Mas enquanto você fica resmungando
Eu fico só imaginando
Quem é você?

Me diga quanto é 5×9
Ou por que você tem crise da meia idade aos 19
Ou por que a linha do seu nariz é tão esnobe
Ou o que te faz pensar que você sabe quem sou eu
Quando você nem sabe
Quem é você?

E se eu nunca mais quiser te ver
Me mudar pro outro lado do mundo
Sem você
Você vai me deixar esquecer
Quem é você?

Você abusa da minha pouca memória
Me faz cansada dessa história
Você vai entender se eu disser que tenho,
Mas não tenho o menor tempo, ou paciência pra você?
Talvez fosse

Você é chato que nem uma sogra
Menos flexível do que uma mola
Você é como um soco no meu estômago
Você me faz querer pular de uma ponte
Ou mudar meu nome

Talvez eu jogue fora meu telefone
Junto com seu número e seu nome
E entenda que 5 e 6 são números bem ruins
Se você for pensar assim
Afinal
Quem é você?
E quem você pensa que eu sou?

 

Carolina Alves

 

Disney + Legião Urbana

Ahh, um vídeo que me encantou hoje! Uma paródia feita pelo Gabriel Xavier, do canal “MontagensGabrielCX” que conta a história do clássico “O Rei Leão” pela música “Faroeste Caboclo”, de Legião Urbana. Simplesmente muito bom!

Here I Go Again

“No I don’t know where I’m going
But I sure know where I’ve been
Hanging on the promises in songs of yesterday
And I’ve made up my mind
I ain’t wasting no more time.
Here I go again, here I go again
Though I keep searching for an answer
I never seem to find what I’m looking for
Oh Lord I pray you give me strength to carry on
‘Cause I know what it means
To walk along the lonely street of dreams
And here I go again on my own
Going down the only road I’ve ever known
Like a drifter I was born to walk alone
But I’ve made up my mind
I ain’t wasting no more time…”

Carolina

 

Sem luz, nem sombra

Me encontro sozinha agora, tentando cruzar uma linha, mas a lâmpada está queimada
O som do silêncio sozinho é tão bonito, mas eu ainda posso ouvir os carros lá fora
Não tem nada pior do que deitar no chão quando alguém acabou de limpar…
O cheiro doce me deixa tão tonta, mal consigo respirar
Mas pensando bem, perder o sentido agora não é assim tão ruim
Então o telefone toca, e passamos horas numa conversa sem sentido, ou fim
Na verdade está mais pra um monólogo tedioso, “blablabla você está ouvindo o que eu estou falando?”,
“blalbabla é tão patético você seguir tentando”, “blablabla eu não acho que você esteja prestando atenção”
Ninguém realmente estaria, parece malvado me culpar por isso agora
Você abre a boca e eu não consigo acompanhar por mais de alguns segundos
Sua voz é tão estranha quando você está nervoso, as palavras soam tão esquisitas,
Principalmente quando você quer se gabar por saber usa-las
O portão está aberto e eu corro o máximo que posso
Mas minhas pernas sedentárias já não são suficientes
Você vê um coelho na lua? Eu deveria estar preocupada por nunca ter visto?
A noite as ruas são abarrotadas de pessoas
Abarrotadas de pensamentos
É estranho e curioso que elas não tropecem uma nas outras com mais frequência
Não fique tão perto de mim
Você entende o que eu digo?
Talvez alguém me ouça… Talvez eu devesse levantar a mão…
Talvez… Mas tudo não passa de uma suposição

 

Carolina Alves