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À distância dos olhos
Mas quase palpável, tangível a presença 

Da recordação 

Existência serena, implorando o sim 

Mas sempre em negação 

Como estranho e belo

São as plantas no deserto

Perpetuando pelas raízes suas condições 

Perigoso tentar 

As raízes tirar 

Desses corações 

Ai, que não é mistério 

Só caso muito sério 

De amor, malcriação 

Sentimento Homérico

Vontade primária 

Impassível de absolvição 
Carolina Alves

De costas

Sua fala cantadaEscolhe palavras que já 

Não caem bem, e então 

Esse seu jeito dissimulado

Sempre distorcendo a compreensão 

Aliado a um sorriso malogrado

De quem foi barrado na entrada dos céus 

E está em busca absolvição 
Sonhar…

Sonha,

Sonhasse

Mil vezes e fizesse a profecia  

Sobre mil sóis que ardiam com

A mesma intensidade do pavor

Da sua solidão 

E ainda assim faria

Muito mais sentido o expor 

À omissão 
De quem deixou relegado 

Até um pouco de lado

Não importando se cego pela luz

Ou escuridão 
Veja…

Vê,  

Eu via. 
Que é aquela figura sem forma

Esperando a travessia? 

Agora assimila espantado essa minha

Epifania 

E assistia calado enquanto o mundo

Pedia:
“Joguem os dados”

E você respondia,

“Por que não?”
Carolina Alves

Questiona

Rodeado pela inconstância Da tempestade titubeante

Que berra, implora e anseia 

Por merecer mais de um instante 

Do indiferente olhar da menina

Que devaneia, e num rompante 

Explode, dando início a sina 

De um ciclo de errantes
Ah
Lágrimas salgadas, chuva fraca

Assim como ela ao notar

Disritmia a ponto de exaustão

E o medo se deu pelo clarão 

De mil trovões fechando o tempo

No ar
Ah
Coisa a toa e coisa pouca

Costumava a Quem bastar

Se hoje no meio da noite 

Sendo no mínimo agridoce 

Teu gosto ao paladar
Quem entre deuses e homens 

Recusaria aceitar

Tão difícil ser ímpar 

Tão fácil deixar pra lá 

Assistindo de mãos atadas 

Enquanto jogava a toalha

Na manga nenhum As   
Carolina Alves