NóNosso

Só 

No

Nosso

Forca

Carolina Alves

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Abandono

Sob o olhar despedaçado da vã expectativa Cuidadosamente mantida e construída 

Cautelosamente vigiada

Porém impossível de ser protegida

Destroçada por um sopro 

E mesmo assim, diversas vezes reerguida

Até se dar conta dessa sensação que angustia

Existia um limite, 

Ou tudo valia?
Sob o olhar abandonado

De quem há muito espera 

Implorando de forma contida

Que a chegada não fosse modesta 

De que adianta, perdida

A esperança desta
Criadora e criatura 

Sob o manto da tristeza

Quem via, sabia ou ouvia 

Coisa qualquer que pudesse ser feita 

Mas esse poder exclusivamente cabia 

A mãos que recusava o dono

E ali está aquela visão sofrível  

Sob os braços do abandono 

Carolina Alves

Hematoma 

Silêncio.Entre os olhos uma ponte

Romantizada outrora a

Não-fala

Nada mais senão reflexo 

Em questão de metros 

Barreira ao toque

Mas sentida a presença

Como um hematoma 

Lembrando constantemente 

Da existência 

Marcada na pele

Ainda que entre pele

Não tenha havido contato

E ao clarear do roxo púrpura 

Para tons cada vez menos dispostos

Desbotados

Aos olhos não mais existentes 

Apesar de ainda latente

A memória se faria presente?

Ao fim desse tempo

Seria então 

(Des)afeto?

Carolina Alves