Violino

Ainda que nada seja como gostaríamosE mesmo que o vento sopre contra nós

Nos seus olhos que o meu rosto reflita

E que as estrelas continuem brilhando sobre nós

Que sua mão esteja enlaçada sempre com a minha

E que “adeus” nunca diga a nossa voz
E que assim vista seja

Por teus olhos somente

A imagem atemporal

Disso que a alma suplica

Com urgência relativa

Nessa angústia crucial

Da imaginação subjetiva 

Implorando pelo substancial
Nesse hiato que Perdura há Setembros

Agridoce o sabor de esperar

Como a tristeza melodiosa do som de um Violino

Recompensada com a beleza de cada nota ao tocar

E por ser questão de física

Como abstrato não se classifica

Alheio ao conceito de tempo

Anula a falta o reencontro do olhar 
Carolina Alves

Abandono

Sob o olhar despedaçado da vã expectativa Cuidadosamente mantida e construída 

Cautelosamente vigiada

Porém impossível de ser protegida

Destroçada por um sopro 

E mesmo assim, diversas vezes reerguida

Até se dar conta dessa sensação que angustia

Existia um limite, 

Ou tudo valia?
Sob o olhar abandonado

De quem há muito espera 

Implorando de forma contida

Que a chegada não fosse modesta 

De que adianta, perdida

A esperança desta
Criadora e criatura 

Sob o manto da tristeza

Quem via, sabia ou ouvia 

Coisa qualquer que pudesse ser feita 

Mas esse poder exclusivamente cabia 

A mãos que recusava o dono

E ali está aquela visão sofrível  

Sob os braços do abandono 

Carolina Alves

Hematoma 

Silêncio.Entre os olhos uma ponte

Romantizada outrora a

Não-fala

Nada mais senão reflexo 

Em questão de metros 

Barreira ao toque

Mas sentida a presença

Como um hematoma 

Lembrando constantemente 

Da existência 

Marcada na pele

Ainda que entre pele

Não tenha havido contato

E ao clarear do roxo púrpura 

Para tons cada vez menos dispostos

Desbotados

Aos olhos não mais existentes 

Apesar de ainda latente

A memória se faria presente?

Ao fim desse tempo

Seria então 

(Des)afeto?

Carolina Alves