Cérbero

Aurora celestina
Destino bestial
No meio do caminho
Decisão bilateral

E no meio dos moinhos
Os grãos já não entendem
Por qual motivo fariam
O movimento de sempre

Entre o silêncio e os latidos
Há breves instantes onde o contente
Significa mais do que resignado
E simboliza uma emoção latente

Ainda que o relógio se inspire
Seu trabalho não parece suficiente
Quando os minutos se arrastam
Prolongando em demasia
Um desastre iminente

Caia sobre ti a água fria
Ou o fogo ardente
De que importa o motivo
Se as entranhas continuariam dormentes

Entre um rosnar e outro
Talvez mordaças fossem convenientes
Mas que bem fariam
Ao inquietar ainda mais a mente

Pois um cão enraivecido
Contido de forma eficiente
Só adia o problema
Visto que as mordaças necessitam
Sair eventualmente

E no meio da briga
A tua cabeça pende
Solenemente entristecida
Malfadada e dormente
Já que a grande ironia
Reside no teu presente
Incômodo sugestivo
Geograficamente inconveniente

Pois sendo a cabeça do meio
Suscetível ao impasse das demais
Se não acabar devorada
Dificilmente encontrará paz

E assim segue a desgraçada
Sucumbindo lentamente
Por vezes na euforia
Resultante de um dos lados dormentes

Mas bem como tudo na vida,
Há de permanecer oculto
Até que seja revelada
Por qual arcada perecerá o mudo

Carolina Alves

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