Luz

Antes do amanhecer, a escuridão profunda
impedia a clareza das Ideias
Que, carregadas de uma solidão única,
recusavam-se a acreditar nas frestas
E assim, tão íntima do escuro,
sentiu arderem os olhos ao raiar do dia
E, num impulso louco,
temeu a Luz, que sombra também produzia
Passo-a-passo, pouco-a-pouco
desabrochava feito flor
Passarinho voando do ninho
criança que não conhece a Dor
Vez ou outra se arriscava
à luz do sol se expor
Mal se via, já dançava
e nem sempre levava protetor
Mas quando a noite enfim chegava
certificava-se de reclamar, ciumenta
Seu lugar entre as Ideias
ora claras, ora turbulentas
Bastava Luz ter a pele tocado
para espantar o torpor
Consequência do tempo no escuro
onde era incapaz de distinguir cor
Ainda que comedida, confiava
E por querer em demasia, acreditava
Ao fim do dia, já não recuava
Aurora em seu esplendor 
Carolina Lobo
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s